TEXTOS E HIPERTEXTOS

A novidade do hipertexto tem suas origens na
história da informática e da engenharia de computação, algo
que, de fato, influenciou o entendimento que o senso comum
e até mesmo alguns pesquisadores respeitáveis têm da relação
entre texto e suporte.
A história do hipertexto, apurada junto a Pierre Lévy e
Roger Chartier, dá condições de sustentar a idéia de que a
não-linearidade do texto não ocorria apenas na forma do
texto digital. Segundo Lévy (1993), o informata Vannevar
Bush, em 1945, foi o primeiro a conceber a idéia de hipertexto
como uma rede interconectada de dados e informações e,
para muito além disso, foi o primeiro a desconfiar de que a
cognição humana não funciona de maneira hierarquizada e
seqüencial. Para ele, que se atinha aos problemas de um banco
de dados informático, o pensamento e a memória humanos
funcionavam de maneira múltipla, interconectada e de fácil
acesso. Note-se, no entanto, que ele trabalhava em informática,
o que fez a história da leitura hipertextual e a do próprio conceito
de hipertexto terem sempre o viés da tecnologia plugada, como
se tecnologias unplugged anteriores não tivessem passado por
processos semelhantes de modelação e remodelação.
Sendo assim, navegar por um texto não é algo restrito
ao suporte digital, como a tela, por exemplo, mas refere-se ao
percurso que o leitor pode fazer em determinado objeto de
leitura (texto, gráfico, legenda, sumário, índice), de acordo
com suas escolhas, a partir de opções de caminho.
Trata-se, como se quer demonstrar, mais de uma
reconfiguração das práticas de leitura e das formas de
produção e publicação de textos às possibilidades do novo
suporte do que propriamente de uma novidade; assim, a
pretensa revolução da informática perde sua mística e tornase
mais um rearranjo da era da tecnologia da escrita e suas
conseqüentes tecnologias de escrita, formatação, registro e
leitura. (Ana Elisa Ribeiro)


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